Entre o riso e o pudor
- há 4 dias
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(por Teresa Viegas, Clínica da Autoestima)

Há casais que se perderam não por falta de amor, mas por excesso de seriedade.
A intimidade, quando começa, é leve. Há nervosismo, sim, mas também há riso. Há embaraço partilhado. Há aquele momento em que o corpo faz um som inesperado e ninguém sabe se deve pedir desculpa ou rir. E quase sempre, ri-se.
Depois, com o tempo, instala-se o pudor adulto.
O corpo já não é novidade. É território conhecido.
E o erro deixa de ser engraçado para passar a ser desconfortável.
O que aconteceu ali no meio?
O riso protege.
O pudor contrai.
O riso diz: estamos juntos nisto.
O pudor sussurra: e se eu não for suficiente?
Na sexualidade, o humor não é superficial. É regulador emocional.
É aquilo que permite atravessar falhas de performance, hesitações, diferenças de
ritmo.
É aquilo que diz ao sistema nervoso: estás seguro.
Quando um casal deixa de conseguir rir no quarto, muitas vezes não é porque perdeu o desejo.
É porque perdeu a segurança.
O embaraço faz parte da intimidade. Corpos suam. Tremem. Nem sempre respondem como gostaríamos. O desejo não é uma linha reta. É um diálogo.
Mas para que haja diálogo, tem de haver espaço para imperfeição.
A maturidade de um casal não se mede pela frequência com que faz sexo.
Mede-se pela liberdade com que pode dizer:
“Isto foi estranho.”
“Isto foi bom.”
“Podemos tentar outra vez?”
Entre o riso e o pudor há uma escolha subtil.
Rir juntos é uma forma de cumplicidade.
Envergonhar-se sozinho é uma forma de afastamento.
Talvez a pergunta não seja se ainda se desejam.
Talvez seja se ainda se permitem ser humanos um diante do outro.
Um gesto para esta semana:
Escolham uma memória embaraçosa vossa.
Algo que, na altura, foi estranho ou desconfortável.
Contem-na um ao outro com leveza.
Riam juntos.
A intimidade não nasce da perfeição.
Nasce da segurança de poder falhar e continuar a ser escolhido. @teresaviegas_psi @clinicadaautoestima

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