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Quando deixámos de nos olhar?

  • Joana Cloetens
  • 6 de jan.
  • 1 min de leitura

(por Teresa Viegas, Clínica da Autoestima)

Há silêncios que se instalam devagar. Não são feitos de ausência, mas de ruído. São os silêncios do cansaço, da correria, da logística infindável, do tempo que sobra apenas para os outros e nunca para o “nós”.


Às vezes, numa relação longa, deixamo-nos de olhar. Não porque deixámos de amar mas porque deixámos de ver. Passamos a ver o outro apenas através do que ele nos dá (ou não dá), do que esperamos, do que nos custa. E esquecemo-nos de reparar nas margens. Nos gestos pequenos. No cansaço que o outro também carrega.


O desejo, ao contrário do que muitas vezes se pensa, não desaparece num instante. Ele esconde-se. Adoece devagar. Encosta-se num canto da casa e aprende a viver sem pedir espaço. Mas continua ali, a sussurrar nas entrelinhas num toque apressado, num olhar evitado, num sono dividido.


O corpo sabe. Mesmo quando a mente já não encontra palavras.

Talvez este novo ano não precise de grandes promessas. Talvez precise apenas de uma pergunta:

o que é que ainda vive entre nós, mesmo que esquecido?

E se pudermos começar por aí… por um gesto. Por uma escolha de voltar a olhar.


Um gesto simbólico para hoje:

Antes de adormeceres, senta-te ao lado da pessoa com quem partilhas a vida. Nem que seja por dois minutos. Em silêncio. Sem distrações. Sem a obrigação de conversar. Apenas olhar. E respirar ali.

Se estiverem longe, envia uma mensagem curta: "Hoje pensei em ti com ternura." Só isso.

O gesto não resolve tudo. Mas é um lugar por onde se pode voltar a entrar. @teresaviegas_psi @clinicadaautoestima

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