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O tempo do desejo

  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

(por Joana Cloetens, Clínica da Autoestima)

casal com desejo

O beijo de “bem-vindo de novo a casa” que se perdeu, na ameaça de ser interpretado como um convite…


O abraço aconchegante que já não acontece, por medo de virar amaço e pedaço de mau caminho para um despir indes

ejado…


O agarrar pela anca como volta de dança que se evita, quando são precisos dois para dançar um tango…


Tudo isso que é expressão de tanto e tão pouco de “vem para a cama comigo!”, abre espaço ao silêncio de gestos de amor, valor e segurança, que ao contrário de ver monstros debaixo da cama, os espalham pela casa toda!


O tempo do desejo não tem obrigatoriedade, não tem de nascer no toque que sempre uniu, e hoje parece separar, na intermitência do “há tanto tempo que…” ou na virilha depilada do “hoje tem de ser!”.


O desejo vem no ritmo e passada de cada um, num respeito e compreensão que torce os dedos atrás das costas para que a algures no sonambulismo do dia ou noite se cruze com o desejo do outro. e…pufff a magia aconteça.


Engane-se quem espera do desejo um caminheiro lado a lado, fiel e irredutível.


O tempo do desejo é o seu tempo e o do outro, e o de ambos quando se permitem a não exigir dele uma sincronicidade calendarizada. Pensemos o desejo como a música do próprio corpo, uma orquestra de sinais físicos e psicológicos, cada um com o seu instrumento, todos a procurar tocar ao mesmo tempo, o mesmo ritmo e milagrosamente a encontrar uma harmonia. Agora experimente pensar na orquestra que vem do outro lado, e pense como é possível….” Amar alguém que ouve a mesma canção!”


Não é concerto para todas as orquestras! Claro que não. Daí a importância de disponibilizarmos tempo do nosso auditório para ouvir o outro tocar a sua música, pode bater o pé e balançar o corpo, para soltar também em palco a nossa orquestra e fazer disso um momento que…valerá a pena ser dançado.


@joanacloetens

@clinicadaautoestima

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